Tuesday, September 23, 2008

Ok, há boas notícias e más notícias

As más notícias é que vão ser precisos mais de $700 biliões para salvar o sistema financeiro americano (e mundial...) do colapso.

http://www.time.com/time/politics/article/0,8599,1843642,00.html

As boas notícias é que basta imprimir sete notas destas.


Isto, claro está, se o governo americano decidir seguir o belo exemplo do Zimbabwe (nada como uma inflação de mais de 100.000% ao ano). Porque se empilharmos notas de $100 até uma altura de 2 metros vai ser precisa, pelas minhas contas, uma sala com 3.600 metros quadrados para guardar o dinheiro.

Sunday, September 14, 2008

Coisas da vida

Ainda sou um tipo novo (pelo menos mais novo que a média dos meus colegas) e não tenho assim muita experiência de trabalho. Do que estudei na escola e fiz no trabalho eu diria que existem quatro áreas/"mercados" sobre as quais posso falar confortavelmente, duas mais ou menos mainstream e duas mais niche: o mercado aeronáutico e corporate finance em banca, por um lado, e cartões de crédito/merchant acquiring e incêndios florestais/protecção civil, por outro.

A coisa estranha é que, por coincidência, em cadeiras que estou a tirar este semestre tenho oportunidade de aplicar mais ou menos intensamente a minha experiência e conhecimento anterior em todas estas quatro áreas não relacionadas, incluindo sectores mais específicos como incêndios florestais (graças ao Reverendo Stearman). Mais, no Verão acabei por aplicar bastante intensamente, em dois projectos diferentes, o meu conhecimento na área do merchant acquiring. A lição aqui é, há certas coisas que uma pessoa pensa que pode pôr para trás das costas, que nunca mais vai precisar na vida, mas a realidade não é bem assim.

Sunday, June 22, 2008

Formas de ingestão de medicamentos

Já tinha visto muitas formas de se tomar um medicamento. Comprimidos, xaropes, supositórios, fórmulas solúveis, etc. etc. etc. Contudo, nunca tinha visto uma que fiquei a conhecer agora - chocolate. É verdade, aqui nos EUA há um medicamento que é vendido (na farmácia) sob a forma de uma barra de chocolate da qual uma pessoa deve comer dois quadradinhos de cada vez. O problema é que o remédio em causa é um laxante, e comer uma barra (pequena) inteira é o equivalente a três dias de tratamento. Sou só eu ou há aqui um potencial para se pregar umas quantas partidas interessantes?

Wednesday, June 11, 2008

Os camionistas em Portugal

Esta conversa toda sobre o preço dos combustíveis já mete nojo e a quantidade de demagogia que para aqui vai (em Portugal e todo o mundo) leva-me sériamente a meter em causa a inteligência da raça humana. Não vou entrar por aí porque o que tenho para dizer provavelmente não caberia nesta página mas há um ponto que não posso deixar passar em claro.

Como seria de esperar lá vieram para a televisão os coitados dos camionistas a criticar os "grandes" que têem sempre as costas largas e continuam a trabalhar enquanto os outros paralisam (a palavra grandes claramente merece aspas porque a Luís Simões, maior empresa do mercado ibérico, tem uma quota de mercado de cerca de 2%). Por curiosidade lembrei-me de ir ver as estatísticas do sector, relativas a 2006, publicadas pelo INE (tiques que ficaram de consultor). Ao que parece, em Portugal existem 40.000 camiões a trabalhar por conta própria, representando 57% da frota nacional mas apenas 19% das toneladas x quilómetro. Mesmo que admitamos que alguns desses camiões por conta própria estão em empresas de 2/3 viaturas dá uma empresa de camionagem para cada cerca de 500 portugueses.

Mais impressionante do que isto, contudo, é ver a surpresa de alguns camionistas que vão para a comunicação social queixar-se que "os grandes que têm 600 camiões pagam as viaturas e os pneus para elas mais baratas". Ora porra, então queriam o quê? Querem que a Scania ou a Michelin sejam obrigadas a vender os produtos a um preço de tabela qualquer arbitrário ou quê? Se calhar só descobriram agora esse fenómeno básico chamado "economias de escala". Vai na volta a seguir vão descobrir que também podem reduzir todas as outras despesas associadas a uma empresa de camionagem - o suborno do GNR, a oficina que falsifica o tacómetro, o contabilista que martela as contas para garantir que ao final do ano não é apresentado lucro nenhum ao fisco, etc.

O problema de Portugal não é a Luis Simões, é não termos mais 10 iguais. Se calhar já era hora de se restringir o número de licenças dadas a empresas de camionagem, para as obrigar a fundir-se.

Thursday, June 5, 2008

A agricultura em Portugal / Europa

Estando a acompanhar de perto a discussão relativamente à greve dos pescadores (que querem mais apesar de o gasóleo pesqueiro efectivamente não pagar imposto quase nenhum) reparo cada vez com mais frequência na tremenda injustiça dos subsídios atribuídos ao sector agrícola nos países ocidentais. Eu ainda posso compreender (com alguma dificuldade) subsídios destinados a manter o estilo de vida rural, no sentido em que pagar a alguém para tratar de terrenos abandonados se calhar saía mais caro. Contudo, não posso aceitar que isso se traduza no destruir de agricultores no terceiro mundo, incapazes de competir com produtos importados subsidiados de forma maciça.

Porventura o mais ridículo dos casos é o do açucar. Que gastemos imenso dinheiro a subsidiar produtores de milho e de beterraba e paguemos o açucar a um preço várias vezes acima do que ele custa no Brasil, por exemplo, já não parece estranho. O ridículo é andarmos a insistir em produzir um produto para o qual claramente não temos condições naturais. Aliás, o facto de não podermos produzir açucar e outros produtos que tais foi precisamente uma das razões que nos lançou nos Descobrimentos. Imaginem só como seria essa conversa agora.

Infante Dom Henrique (IDH): Paizinho, está-me a apetecer fazer um bolo. Tens aí uma chávena de açucar?
Rei: Desculpa, não tenho aqui nada. Já foste pedir ali aos vizinhos?
IDH: Já. Eles dizem que agora estão muito ocupados a combater os mouros e não podem atender.
Rei: O quê, eles ainda andam à volta disso?
IDH: É verdade, aqueles gajos são mesmo assim. Emprestas-me dinheiro para eu montar uma escola de navegação de nível mundial e descobrir a Madeira e o Brasil, então?
Rei: Epá, não vai dar, já prometi o dinheiro para subsidiar ali uns produtores de beterraba.

E não haveria mais de 200 milhões de falantes de Português no mundo.

Saturday, May 24, 2008

Será que esta gente não tem noção de quão ridícula fica?

Ontem estava em NY a apanhar o metro para Chinatown (para apanhar o autocarro para Boston) quando vejo um grupo de jovens, digamos, urbanos, como a malta aqui lhe chama (em Portugal seriam conhecidos como "mitras"). Para além das calças largas e do boné três tamanhos acima (muito comum por aqui, com uma pala muito lisa capaz de tapar a radiação proveniente da explosão de uma supernova, quanto mais o sol) traziam o chamado "bling".

Em particular, havia no grupo um rapaz magrinho (que não devia ter mais do que 16 anos) que me fez lembrar um episódios dos Simpsons, dado o tamanho e variedade das obras de arte que trazia ao pescoço. A mais notória, contudo, era uma matrícula de carro do estado de Nova Iorque (em tamanho real - quase mais larga que o peito dele), pendurada nas pontas por uma corrente dourada grossa. Para quem tiver curiosidade, a matrícula dizia "Brooklyn".

Sunday, May 18, 2008

Kennebunkport

The WASPiest place on Earth.

Pois é, lá alugámos um carro e fomos fazer um passeio pela (muito bonita) estrada costeira até ao Maine, a parar num número de terras pelo caminho, e chegámos até Kennebunkport antes de voltar para trás. Para quem não sabe, Kennebunkport (no Maine) é conhecida por ser a terra da casa de férias da família Bush. Após o George e a Barbara nos terem recusado a entrada no seu complexo gigante em cima do mar (apesar da lagosta que trazíamos) decidimos ir dar um passeio pela vila.

Chamar àquilo uma terra é um bocado de um exagero - "Country Club marítimo" será porventura um termo mais adequado. As casas são gigantes mas sóbrias, tudo está assustadoramente arranjado, não há qualquer sinal de vida nas ruas e até os cães olham para ti com um ar de superioridade. O sítio todo dava a impressão de ser uma caricatura do Family Guy à família da Lois.